quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ao despertar.

E nua, corria pelos gramados daquele lugar.
Falava com os pássaros, falava com as árvores, falava com ela mesma.
Tudo era tão novo. Se tornou insana, e a partir daí o mundo ganhou novo sentido.
Tinha agora, muitos amigos. E talvez nunca fora sido tão feliz.
Sempre lutara pra mudar tudo a seu redor, e perdeu a lucidez quando descobriu não ser capaz.
E hoje vive numa casa bem grande, junto com outras pessoas que assim como ela,
fazem da loucura sua doce realidade.
E nua, corria pelos gramados daquele lugar.
Falava com os pássaros, falava com as árvores, falava com ela mesma.

domingo, 1 de agosto de 2010

Meu tempo.

Não olhe!

Não pise!

Não corra!

Preste atenção!

Siga!

Tic-tac, tic-tac...


Pare!

Não coma!

Coma isso!

Acorde agora!

Vá dormir!

Trabalhe!

Tic-tac, tic-tac…


Não queira!

Compre isso!

Case com este!

Ame aquele!

Seja rico!

Tic-tac, tic-tac...


Viva assim!

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Seja feliz.

Mas seja feliz do meu jeito!

Tic-tac, tic-tac...

Ela era toda razão.

Ela sonhava em ter o sol.
Ela desejava voar pelo céu.
Gostava de silêncio.
E no mesmo silêncio se entediava.
Era menina das cantigas de infância.
Era mulher que seduzia.
Era forte a ponto de esconder as lagrimas.
E se matava por dentro, por seus desejos.
Menina dos olhos castanhos e pele bem clara,
Mas o sol a tornou morena.
Escondeu por tanto tempo seu choro,
que se tornou incapaz de derramar se quer uma lagrima.
As cantigas de infância foram esquecidas,
os olhos castanhos e o corpo bonito já não mais impressionavam.
No silencio desejou mais e mais uma vez.
Tinha a ternura no olhar,
Mas tinha ambição na alma.
Essa vida teve fim, ela teve o que sempre quis.
Voou para o céu, e pôde possuir o sol.